domingo, agosto 27, 2006

Adeus Dulcinéia del Toboso... Parte II




"Planejando a Queda..."

Ele separou-se, a esposa ficou mal. Normal, infelizmente, ela descobriu antes que houvesse a oportunidade completa de lhe contar o que havia ocorrido. “Traição”, palavra forte, mais que a dor de perder a esperança no cônjuge, abala as nossas bases de auto-confiança. Pior do que não mais acreditar no outro é não crer em si mesmo.

Para completar esse quadro de catástrofe sentimental, as dúvidas, todas elas. Será que ela é melhor que eu? O que ele tem de superior? Serei feio? E tudo que vivemos? Essas coisas a atormentar a mente cada instante. Uma dupla dor; pelo final de uma história que não cria ter fim e a desilusão de si mesma.

Ele foi para um lado, ela continuou no seu trono de orgulho. Mesmo assim, os meses seguintes foram intensos e felizes, por mais desconfortável que a vida tivesse ficado, afinal, não tinha mais dinheiro nem regalias às quais era acostumado. Dizem as más línguas que com certeza estas coisas fizeram o casamento perdurar mais tempo.

Contudo, neste novo tempo de certa forma árido, conseguia antever a vida futura. Sensibilizados pela situação, seus pais iam ajudá-lo, ia se formar, dar aulas, fazer mestrado. Até se casar com a futura aluna de física.

Uma pena a vida nunca ser como antevemos, à menos nas desgraças. Um dia normal agraciado com a bênção de os pais dela não estarem em casa. Neste domingo à tarde, ela disse pela primeira vez: “eu te amo”. Nequele tempo remoto, ainda cria nesse sentimento. Algumas horas de completa felicidade.

Dia seguinte, ela o liga chorando, preocupação... O pai dela havia dado uma péssima notícia, teria de trabalhar em outra cidade, a garota teria de ir com ele. O desespero tomou conta de ambos, justamente naquele dia? Como seria a sua vida sem ela agora? Perdera tudo que tinha em troca dela e agora não mais sabia o que fazer.

Propôs que continuassem vendo-se, namorassem à distância. Acontece que ela ia pra muito longe, não suportaria as saudades. Melhor terminar antes que as coisas tomassem rumos inesperados. Ele morreu. Em casa, jogou-se ao chão de dor, nunca havia enfrentado tamanho desespero. Bebeu, fumou mais de uma carteira de cigarros.

O dia da partida foi um dos piores de sua vida... Sabia, enquanto ela entrava por aquela porta, estar perdendo o que havia de mais importante em sua vida, cada passo, repetia-os em sua mente em câmera lenta, cada passo, cada matiz de cor que se tornava indistinguível a distanciando dele para sempre.

Bebi como nunca em minha vida, passava os dias sem saber o que fazer. Que reação tomar? Completamente perdido no caos da vida. Sempre havia sido irônico, assim a vida, em retaliação, pregou-lhe a maior peça. O fez trocar - assim como nos jogos televisivos - um carro por uma moto. Depois, tirou-me tudo.

Bêbado que estava, flertou com uma amiga de muito tempo. Infelizmente para os dois. Começaram a ficar, o detalhe é que na ocasião estava bêbado o nosso herói. Foi reparar no mal que havia feito para a menina dias depois principalmente quando ela largou o namorado para se compromissar com nosso Quixote.

Sentia um misto de culpa, com remorso, de certa forma devolvia o que a vida tinha me dado, fazia alguém largar uma pessoa por outra, que a abandonaria, porém, neste caso seria ainda mais cruel, pois abandonaria por vontade própria, puro egoísmo desprecavido de ingenuidade matreira.

As tragédias parecem nunca vir sozinhas, a mulher que amava, soube do incidente, afinal, havia seduzido uma amiga em comum do ex-casal. Antes, estava disposta a fazer o que fosse preciso para que pudesse continuar juntos. Todavia, quando soube do caso com a amiga, nunca mais falou com o mancebo dessas linhas.

Lembrava de velhos tempos. Poucas vezes a janela despertou tanto interesse, poucas vezes quis tanto fugir de uma situação ou problema como naqueles dias.





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Agradecimentos especiais pela fotografia à senhorita Ana Paula Caron.
=)

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