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Sábado à noite, talvez a maior prova de seu fracasso na vida social seja não ter nada pra fazer nesse dia. É incontestável, quase como um documento no qual está escrito que você é um grande perdedor, um desses pequenos fracassos que o fazem pensar onde foi que errou, se foi uma incongruência do azar, o que tem de ser diferente, o que precisa mudar, interessante; sempre aparece a pergunta como mudar? Talvez, depois de muito analisar o assunto sejam encontradas diversas maneiras de transformar a situação, nesse ponto sempre surge outra questão: de onde tirar forças pra promover as mudanças? E essa dúvida, por hora ninguém me respondeu. Você começa então a memorar o passado, como as coisas foram boas e poderiam ter sido melhores, coisas irrelevantes do seu cotidiano, pequenos detalhes, alteraram significativamente a sua vida, tanto, que você passa a ter fobia aos detalhes e mais ainda às mudanças... nesse ponto acredito que comece a estagnação, daí para a apatia destrutiva de si mesmo o caminho é curto e os passos são largos.
Era sábado à noite, e, por incrível que pareça a quem me conhece, eu tinha o que fazer, e não era nem um programa de índio (ao menos eu pensava assim) fui convidado pra ir num bar por uma garota e pra ir numa festa com um amigo. A idéia de ir com a garota me animava, era linda, um pouco infantil e fútil, exatamente o que me agradava naquele momento de fuga de mulheres chatas. Bastava as que haviam passado na minha vida. A questão era uma só: será que ela iria querer vir pra casa comigo? Teria eu de aguentar aquela noite miseravelmente chata em algum barzinho da moda, de pessoas retrô? Eu já estava antevendo a desgraça, ia achar o ambiente e as pessoas tão maçantes que, ou ficaria sentado a noite toda na minha mesa pensando em como a vida é hipócrita ou seria autor de alguma grosseria memorável. Porém, não se pode ter tudo, a minha noite estava seriamente comprometida pelo fato de haver entre eu e o bar uma barreira, digamos, financeira, obviamente estava sem dinheiro.
Assim, não poderia fazer nada além de ficar na internet com vontade de comer pizza, vivia uma época de completa autodestruição, não importava o fato de haver o que fazer no domingo seguinte, nem na semana seguinte. Esquecia-se propositalmente o fato de haver uma vida inteira logo após aquele momento, não sentia medo, remorso, nada. As poucas vezes que sentia alguma coisa eram quase na totalidade desagradáveis. Eram na maioria sustos, uma espécie de espasmo que tinha ao ver certa pessoa, a única que ainda despertava o cadáver em que se tinha transformado, ela não sabia disso, por certo nem queria saber, já que o odiava, não sabia bem ao certo o porque, mas suspeitava que as suas afirmação irresponsáveis – como quase tudo que havia feito na vida – fossem a origem daquele sentimento adverso. Afora disso fora tomado pela ausência de paixões de forma a transformar-se num ser quase vegetativo.
Procurando esquecer a pessoa, que até ao ser lembrada provocava certas reações, vinham à mente dias passados, lembranças de outras épocas, certamente mais festivas, com muitos amigos... os quais nunca mais vi. As pessoas aos poucos tomavam seus próprios caminhos, seguiam suas vidas, uns estavam estudando, outros desistiram de estudar, pessoas trabalhando, outros longe. Assim, se não havia muita paciência para com os antigos amigos e afetos, para os novos reservava o pior de si.
Porém, pensei, festa na casa de amigo de um amigo, voltava à mente a lembrança financeira, entretanto, lá, ao menos poderia levar uma bebida como contribuição e assim nem gastar nada. Solução perfeita! Pensou derrepente, convidar a garota para ir à festa da casa do amigo. Para isso, teria de esperar a confirmação da festa.
Óbvio que ela não veio a tempo, assim, começou o êxodo, de um prédio para o outro, não antes de uma seção de transformação, pois, se alguém me visse no estado que estava em casa, jamais beijaria outra mulher na vida. Caminha-se, caminha-se... chegando lá, o rosto do amigo denunciava que não haveria festa. Já era tarde, os bares fechados. Mais uma noite e nada pra fazer. O amigo voltou pra casa.
Quando você observa um majestoso por do sol, um céu noturno estrelado, ou até mesmo o sorriso de quem você julga estupidamente amar e não sente nada além de indiferença. Não se sentia vivo e não conseguia sorrir. Gritando surdamente tentando não assustar as pessoas quando tudo está indo mal. Sem fazer a menor idéia de pra onde ir.
A nenhuma animação voltou ao cadafalso, sentia apenas um imenso cansaço, uma frustração por nem mais ter as fagulhas pra correr atrás, estava decidido a não depender de outros, ia como num mantra, repetindo a frase: “a única certeza é que nascemos sós e assim vamos morrer”.
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3 comentários:
Noites de sabado passadas de formas vazias, ninguém merece t.t
Vae eu tento mas vc é muito funeral pros meus feelings :/
Eu ia soltar piada e acabei ficando total doom com seu texto...
"Porém, pensei, festa na casa de amigo de um amigo, voltava à mente a lembrança financeira, entretanto, lá, ao menos poderia levar uma bebida como contribuição e assim nem gastar nada. Solução perfeita!"
Oloco ta parecendo comigo t.t
Tem que arrumar um canto ai pra ficarmos sabado a noite tentando entrar de penetra nas festas ;D
Inté seu true funeral doomer T_T Sniff
É realmente uma vida destinada apenas ao próprio fim..
Sem muito ao q se agarrar no meio do caminho..
Mas esqueceu de mencionar sobre as batalhas com espadas, antes de mais uma vez cair inconsciente até o amanhecer de mais um dia!
ta escutando mto doom hein !
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