
"Something happened."
"Gather ye rosebuds while ye may."
Há alguma coisa atrás dos seus olhos, no vazio castanho deles, eu consigo enxergar, não sei o que é. Podia ver por trás daquele seu sorriso. Cada sinal, cada trejeito seu tão conhecido, cada centímetro do seu corpo. Eu conheço, admiro, idolatro. Mas a cada expressão, parecia ter algo, indefinível, correndo por entre meus dedos.
E agora, lá estava você, deitada. Fazia tempo desde que nos conhecemos, foi tudo tão casual que eu passei a acreditar em muitas coisas depois de tudo. Só não esperava esse desfecho. Não consigo mais chorar, seria tão bom, quem sabe assim me aliviasse um pouco essa condição deplorável. Depois de uma noite de desespero e lágrimas, eu pudesse voltar a sorrir, ao menos, não sentir isso tudo.
Lembro-me como se fosse nesse instante, eu detestava sobremaneira ir para a faculdade de manhã, porém, naquele dia, resolvi abrir uma exceção, não havia dormido mesmo, estava cansado de computador e nada melhor a fazer me apareceu. Cheguei e as pessoas me convidaram pra entrar na sua sala de aula.
Eu te vi naquele canto, depois fiquei sabendo que você reparou em mim também. No canto oposto, separados por tantas pessoas, pelo fato de não nos conhecermos... Um abismo entre nós. Mas aos poucos a mágica aconteceu, por algum motivo, que não sei designar, você veio falar comigo. Conversamos um pouco.
Eu não havia dormido. Como poderia ter sido gentil com você? Depois eu me retratei, afinal, você nem sempre foi gentil comigo, não no início. Eu consegui seu telefone, te levei em casa, te chamei pra sair, tantas coisas, tudo deu certo, coisas ruins aconteceram, mas por mais mal entendidos que houvessem, eu estava feliz. Derrepente estávamos namorando... Posso dizer que tive dias felizes na minha vida.
Sempre me perguntava o que ocorria, qual era o motivo daquelas lágrimas que eu furtava de seus olhos desprecavidos. Perguntava-me o que atormentava a sua mente. Tanto tempo quis ser a única pessoa a te conhecer inteiramente, creio que fui quem chegou mais longe, talvez não fosse suficiente. Apesar disso ainda era a única pessoa que estenderia o braço, quando você tivesse afundando.
Apenas uma vez ao menos eu quis que você tivesse me contado o que estava acontecendo, quem sabe não fosse tarde demais. Por detrás daquela dor imensa dos seus olhos, o que acontecia com seu corpo.
Agora, você ali. Uma vasta sala com chão de madeira, tábuas imensas de um tom escuro, brilhante e velho. Grandes janelas que deixavam ver o sol por detrás, algumas árvores e um pequeno jardim, sem flores. No centro da sala, apenas você. Olhava para as suas mãos, você nunca soube, mas eu sempre as admirei. Não me abandone querida. Não pense que não pode ser salva. Sempre estarei ao seu lado, de mãos dadas com você. Eu nunca vou soltar, há um elo entre nós que nada, nem nós mesmos podemos desfazer. Não importa o que aconteça, que tudo mude ou fique estranho, sempre estarei ao seu lado.
Por favor querida, desperte, descanse dos seus sonhos pesarosos e lúgubres. Descanse em mim. É tão difícil olhar seu rosto branco e os cabelos curtos com esses olhos fechados. Mesmo que os sonhos pareçam partidos, eu estou aqui. Deixe-me ser o único a te entender. Deixe carregar as suas dores e seus pesares. Mesmo que você ache que não consegue mais andar. Por baixo do sangue em sua face existe algo, e você não quer me dizer.
Mesmo que achemos que tudo o mais está errado. Mesmo que nada pareça ser como deveria, a desilusão nos ronda e ameaça, mesmo assim querida, amanhã o sol irá nascer novamente, e se você não estiver comigo, eu não mais poderei enxergar.
Nós temos todo o tempo do mundo para recuperar o que perdemos, não se entregue querida, não se renda amor...
A vida não será sempre assim meu amor, olhe ao nosso redor, ouça os sons, enquanto estiver comigo, viva.
Saiu, não adiantava esperar, mais um dia e o coma permanecia, se ao menos ela tivesse lhe contado os sintomas...
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