terça-feira, agosto 15, 2006

Aplausos...


Simplesmente, Culhões.

Julgava-se nesse momento uma pessoa de vontade fraca, sabia ser esse o maior defeito. Era daqueles seres irresponsáveis que vão adiando as decisões de sua vida, protelando tudo e todos, sempre pensando no amanhã. Claro, não significava isso que passassem por ele sem menores estragos grandes idéias ou projetos. A questão é que esse tipo de pessoa nunca vive o suficiente para chegar ao dito amanhã, ou, quando percebem, estão no amanhã de suas vidas e as forças já não incorrem mais.

Na verdade não vivia, a vida não começa no dia em que se nasce, sabia disso fazia tempo. Às vezes começam mais cedo, às vezes mais tarde... Por vezes tarde demais, muito perto do fim. Acreditava que a sua vida ainda por começar já se esvaía e não tinha muito a prosseguir, afora isso, não acreditava em mais nada.

O problema maior que tinha em sua vida, era o maldito hábito de escrever, complicadíssimo. Era sua única vontade, e, provavelmente provinha do fato de poder fazer uma coisa, de certa forma, eterna. Uma espécie de grito que nunca ia se acabar. Se tivesse filhos, esses morreriam assim como ele, além do mais, seria o culpado por suas lágrimas, suas experiências tristes e sua morte, definitivamente, não era capaz de aceitar a culpa pela morte de um filho, já as tinha em demasia e não precisa de mais.

Pensava nas dificuldades, ter de encadear fatos, aquele acontecimento, depois esse e mais aquele outro, isso sem contar na inaptidão das palavras ante os fatos, nunca poderia, por exemplo, contar um evento simultâneo com a mesma precisão de quando vemos ao mesmo tempo o ônibus se aproximando, e a menininha desavisada atravessando a avenida rumo ao caos. Ao menos o consolava saber que mesmo seus grandes mestres não haviam conseguido fazer isso, óbvio, estes escreviam de verdade, não apenas divagações errantes e sem muito nexo.

Nunca conseguiria descrever em pormenores decentes a personalidade de alguém. Mesmo para fazer a descrição de lugares ou coisas via abismos intransponíveis, pois, acaso fosse um Alencar da vida, causaria os mais profundos bocejos em seus pouquíssimos - talvez nenhum – leitores. Olhava para o lado, nada. Tentava imaginar o pior lugar possível para estar... Talvez devido ao calor, lembrava-se de um deserto, quente, isolado e ermo, sentia-se assim por dentro também, imaginava uma espécie de lugar que seria bem propício à primeira morada do diabo, o chão queimado e tudo, o monte onde cristo foi vítima de uma tentativa de suborno, uma pena o diabo ter tão pouco a oferecer, enfim, outra história.

Uma espécie de responsabilidade herculínea, extenuante essa de escrever. Pensar nos seus doze trabalhos pessoais fazia ter crises de angústia e ansiedade, afinal, havia se proposto a isso, e se não conseguisse, a exposição pública de seu fracasso, na única coisa para a qual julgava-se menos inapto, ficaria evidente. Sempre que chegava à meia página pensava: “ metade do sofrimento passou”. Bons tempos aqueles que conseguia divagar horas e horas sobre os menores acontecimentos. Deus meu! Pensava, não tinha nem cinqüenta páginas e tornara-se um autor esgotado, que espécie de escritor julgava ser? Complicado também era estabelecer, além da cronologia, a relevância, pensava se aquela ou esta parte serviria ao propósito, espécie de acrobacias para as quais não havia categoria alguma de treinamento. Era fazer e pronto, lá estavam seus saltos perante o público.

Havia outra solução, poderia não expor nada, mas então, o efeito seria ainda mais devastador, afinal, pelo menos, havia a possibilidade de ninguém ler aquelas coisas. Seriam apenas um grande amontoado de letras sem vida na tela de um computador, unidos a uma bela – ou não – foto. Muito melhor do que um enorme espaço vazio, uma prova evidente até aos olhos mais cegos de sua inaptidão, até havia – ou houvera - uma espécie de aptidão, não era esse o caso. A questão era “o que”. Sempre fora esse o problema.

Nunca havia um assunto que achasse relevante o suficiente para ser abordado. Por vezes, chegara a pedir a uma pessoa qualquer: “sobre o que escrevo”? A maioria respondia pra escrever sobre deus. Nunca havia feito isso, é bem verdade, ante tal possibilidade abriu outro documento e pensou; “ao menos um projeto de “textículo” pra amanhã”. Chegara à primeira página de hoje, a letra grande é bem verdade, entretanto, pelo menos cumprira a sua cota daquele dia, vencera seu desafio. O assunto? O de sempre... Ainda pensava nela, a única a fazê-lo acordar desse sono profundo.

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2 comentários:

Anônimo disse...

Vc escreveu sobre o ato de escrver ou de não conseguir? haha

Mto bom o txt Vae!

Anônimo disse...

eu lii,eu liii
duvidou de mim né?
eu li tudinho,tudinho
ficou mto legal o texto
valeu a pena ler td isso....
hauahuahaua
bjosss