sábado, agosto 12, 2006

Mil vezes... Inocência.


Estranho perceber o quanto nossa mediocridade leva a trilharmos caminhos que, à beira de qualquer reflexão, seriam total e completamente repudiados por nossa alma cristã, digna e glauca. Quando, por exemplo, ferimos, devastamos mesmo a convicção íntima de outrem, quando o menor escrúpulo, esmero, percepção da benignidade é carbonizado por nós mesmos. E para quê? Satisfação dos desejos internos, carnais, lascivos e mundanos. Somos facilmente capazes de destruir a mais frágil, lívida, inocente e pura menina, uma moçoila delicada, pudica, transformando-a em nossos desejos na mais ousada ninfeta, que jamais teria sonhado um Nabokov, quiça um Zola.


Desta foi meu primeiro "amor". Quem sabe, o ávido leitor, que digne-se a perder seu tempo com tais linhas rameiras, perguntará: "por que as aspas na palavra amor, aboleimado artífice?" Para a resposta deste, necessitaria um romance, daqueles bem incômodos ao leitor comum, devaneios e digressões psicológicas mil talvez, ora talvez, certamente não explicariam a ojeriza que sinto perante tal palavra. Em suma, para não tornar o conto em novela, o amor não existe. Falando deste, contar-lhes-ei minha primeira aventura no que o vulgo clama por "coisas do coração".


Estava eu na idade dos dezessete, dezoito, não sei ao certo precisar, vez ou outra sentia calafrios, palpitações e um certo frenesi ao ver passar, ou até mesmo perceber alguma bela dama de meus conhecimentos. Porém, de uma timidez despótica que sempre fui, nunca houve a temeridade que em meus comparsas vejo para poder até mesmo sorrir a alguma destas. Aliada ao meu juízo sonhador, ou falta de juízo, como quiserem, cada dia apaixonava-me por uma mulher diferente. Com esta construía uma bela vida recheada de boas coisas.


Porém, o precavido leitor há de fazer uma pausa. Crerás, certamente, com o curso que toma esta narrativa, que era eu o mais belo, tímido e bondoso jovem que alienou-se à existência. Não, categoricamente não. Era o mais sujo, covarde, ardiloso e maléfico ser, e isso poderás perceber nas próximas linhas. Andemos finalmente ao meu "amor".


Estávamos em julho, aqui, neste recanto ligeiramente frio do hemisfério sul, passava os belos dias cinzentos em passeios, bebedeiras com ou sem amigos - se é que assim poderá alguém ser chamado - e toda sorte de ousadias semelhantes. Enfim, dedicado ao puro ócio. O mais cinéreo dia de todos era o do aniversário de minha irmã mais nova. Basta dizer, caro leitor, que nunca em minha vida havia percebido alma mais agradavelmente linda. Assim como acontece de passarmos todos os dias no mesmo regalo, seja ao caminho da escola, trabalho ou o que for, até que certo dia, uma paisagem da qual conhecemos cada milímetro, derrepente, se nos parece a mais bela visão do paraíso. Desta forma sucedeu-se com minha pura donzela irmã, num minuto a transformei, em meus pensamentos, na puta mais devassa, crendo poder lhe possuir de tantas maneiras que nem cabe ao papel, apenas a mente de homens depravados como eu poderá imaginar.


Que fazer para conter tais sentimentos? Nada. Não queria, nem sabia como fazê-lo e nada fiz. Assim, por dias e meses procurei me aproximar da maninha, tornando-a de, antes uma parente qualquer, desprezada, em minha melhor amiga. Que momentos de mágicos orgasmos obtive quando ela sentava-se em meu colo, a pele alva, cabelos negros, as carnes macias da tenra idade, quatorze anos. Beijava-lhe as carnes do pescoço, apertava seus pequenos seios e, no dia que tomamos banho juntos a tortura maior, dei vazão à todo tipo de pensamento pecaminoso, entretanto, me contive.


Nesta época eu tinha escrúpulos, era um santo homem se em comparação com minhas futuras desventuras, por causa disso, somando-se é claro, o medo de arder no inferno, procurei de todas as formas me conter depois de um período. A pobrezinha minha irmã era uma puta apenas em meus sonhos, cria que ainda lhe faltariam anos para gostar de algum dos de nossa raça, não leitor, não me refiro aos baixos vilões, sim aos homens.


Para esquecer uma mulher, nada melhor do que outra mulher. Conheci, depois de certo tempo, a irmã de um grande amigo, e era ela perfeita, cheirava o seu corpo sexífero uma natureza estranha que eu não podia imaginar. Tinha os cabelos castanhos lisos, alva, de sorriso e simpatia largos. Ao que parece, gostou de mim à primeira vista, logo andávamos abraçados, de mãos dadas e passávamos horas, dias a conversar, entretanto, nada, absolutamente nada além disso.


Introduzi-a em minha família, para com isso, quem sabe, poder romper a barreira que tanto me desagradava. Ora, eu queria me saciar de seu admirável corpo, todavia, não havia a menor possibilidade de eu me atrever como fazia à minha irmã, esta, pobrezinha, a essa altura estava desesperada crendo ter feito alguma maldade, e por isso perdera o maninho.


Após dois meses minha amiga tratava-me como irmão, e todas as liberdades que disso poderia haver aproveitei, esqueci de mencionar que minha ninfetinha amiga estava com quinze aninhos. No terceiro mês houve o derradeiro choque, por ser desnecessário, até esta parte, não mencionei que minha amiga era uma intrépida e talentosa artista, fazia primorosas gravuras e ilustrações, possuía uma espécie de vocação fora do comum para isso. De certa feita, vi o desenho que me levou aos sonhos mais corruptos e repugnantes em meio a tantos outros que ela produzia. Depois desta gravura passei a compreender o comportamento dela e de minha irmã. Eram lésbicas e estavam tendo um caso. A honesta leitora que me perdõe, mas não existiu, nem nunca existirá, um homem que na minha situação não espumasse de desejo como um demônio no cio.


O trágico dirá: "mas que terrível destino deus pai!". Estenderá as mãos aos céus bradando: "primeiro apaixona-se pela irmã e depois pela namorada dela!". Mas eu não era trágico, cada dia mais me via como um pervertido, arrependia-me deveras da clarificação anterior, quando desisti da maninha, hoje penso que deveria tê-la possuído à força até rebentar-lhe os órgãos internos. Por hora, entretanto, contentaria-me com outra vileza. A tática embrenhada por mim causa meu orgulho às mesas de bar, porém, aqui no papel, tornando públicos os meus atos libidinosos, uma certa rubescência me percorre a face, em vista disso, vou contar-lhes resumidamente como tudo se passou.


Maninha estava entrando em profunda melancolia e tristeza devido ao fato de ter-me afastado dela, pensava, por certo, serem as suas novas "brincadeiras" com minha amiga que me tinham afastado. No dia que me acheguei para falar-lhe demonstrou vida novamente no sorriso e reconheci novamente a menina de meses atrás, que em seu aniversário despertara o anjo dentro de mim.


Contei que tudo sabia sobre seus novos "divertimentos", mas ao que ela começou a chorar, me tornei cada vez mais brando, dizendo-lhe que aquilo era somente uma brincadeira, que nada havia de errado, que todos os jovens agiam dessa forma e, somente ela não deveria dizer a ninguém o que estava se passando, pois, os adultos não mais podiam se divertir dessa forma então sempre que lhes era possível, castigavam os jovens que lhes faziam inveja.


Até aí, quem sabe, se eu me arrependesse não estaria condenado. Mas não, eu queria percorrer todos os estágios dantescos do inferno. Foi quando destilei a minha irmã que apenas em um ponto incorria gravemente em pecado, era por não haver nenhum homem nas suas brincadeiras. Pobre tola, fi-la chorar, debulhar-se em lágrimas e pintei a gehenna com as cores mais vivas. Assim, como a minha amiga "amava" verdadeiramente a minha irmã, maninha fez saber que, ou eu entrava na orgia - óbvio que minha irmã usou de outras palavras, aliás este é um resumo de uma empresa que me consumiu dois meses - enfim, ou eu participava ou minha amiga teria as portas fechadas à nossa família.


Já estávamos no julho seguinte, meus pais foram viajar, me deixaram como caseiro. Minhas ninfetas não poderiam ter usado plano mais simples e eficaz, cada uma disse aos seus pais que estariam na casa da outra. Assim, vimo-nos completamente a sós e não precisei mais do que um pouco de vinho e vodka para ter o que sempre quis. As possuí, muito, de todas as formas que o demônio mostrou, verti-lhes sangue, das duas virgindades, as fiz estremecerem de prazer como nunca haviam feito. Como diria Aluizio de Azevedo, deixei-as por inteiro agonizantes, como se as tivessem crucificado na cama. Eu mesmo saciei de minha sede e pecado.Conitnuamos nessa vida por uns três meses, algum tempo depois, vendo sua família em ruínas, minha amiga tornou-se prostituta, sou seu cafetão até hoje. Maninha, pobre, ao descobrir a verdadeira natureza das coisas que haviam feito, suicidou-se. E eu? Bem, após ter saciado minhas vísceras com elas, desde a primeira noite perdi o interesse, queria mais, passei a buscar pecados cada vez maiores e um dia, pretendo alcançar o fundo do lodaçal eterno do inferno.
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3 comentários:

Eumolpo disse...

auhUHAUhuahUAHUhaUHAUhauHAUHuahUAHuahUAHuhauHAUh
bem de aboleimado artífice, c naum tem nada, de pervertido talvez...
rs

Anônimo disse...

adoro o q vc escreve...e guardei ja o link do seu blog, para q eu possa ler sempre...bjus

Anônimo disse...

nojento. seu pervertido.