terça-feira, agosto 22, 2006

O universal ou a totalidade?









universo


do Lat. universu, todo inteiro
s. m.,
conjunto de tudo quanto existe;
todo o espaço e a matéria nele contida (galáxias, estrelas, planetas, cometas, satélites, quasares e buracos negros);
o Mundo (grafado com inicial maiúscula);
a Terra (grafado com inicial maiúscula);
a universalidade dos homens (grafado com inicial maiúscula);
conjunto que constitui a totalidade de algo;
adj.,
todo;
universal.













Deitado, à noite no seu quarto desarrumado, pensava na ordem das coisas no universo. Analisava, do alto de sua ignorância, o funcionamento de cada átomo. Pensava que, se cada parte de todos os elementos e ligações bioquímicas de seu corpo tinham uma função específica, eles iam cumprir determinada tarefa. Porém, à partir do ponto que um determinado número de elementos, somado à um determinado número de ligações produzia fisicamente uma única situação. Perguntava-se: as ações são de certa forma programadas?


Exemplificava para si próprio. Seguindo essa infinita rede de cálculos, poderia ver uma espécie de linha mestra determinando, junto com os cálculos de outros elementos, ser atropelado por um ônibus às três da tarde no passeio público, ou morrer dia 21 de agosto de 2020, chorar depois de amanhã, entretanto, uma espécie de linha mestra impossível, pois estaria inserida num universo cheio de elementos paralelos, poderia ocorrer qualquer incidente no meio e mudar o caminho.

Uma predisposição a um determinado fim. Analisava que poderia sempre existir sempre vários fatores que mudassem o fim de sua predisposição, sua programação. Um ser “programado” em sua linha guia poderia incidir em outro. Por exemplo, eu tenho de ir até o ponto c, porém, outro ser vai ter de estar naquele ponto no mesmo momento, dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar, simples, um dos seres vai ter sua rota desviada.


Pensava na inutilidade de seus devaneios, ao mesmo tempo em que as achava fantásticas. O universo parecia se esconder sobre aquelas linhas, no fundo, não passava de matemática e física, belas, sim. Apenas sentia que havia uma espécie de algo a mais... Indefinível.

Pensava nas possíveis conseqüências de cada ato, cada segundo, um turbilhão quase infinito de cálculos e processos. Cada intromissão, cada desvio suposto estava programado. Considerava naquele instante os eventos de sua vida, as pessoas que incidiram em todas as situações, e o quanto eu estava programado para aceitar as incidências.

O livre-arbítrio uma farsa. Afinal, mesmo um hipotético fator desviante já estava programado, assim como a decisão. Desde sempre, até a eternidade, cada átomo seguiria seu caminho, gerando todas as forças possíveis. Desde o início dos tempos, até o final, nada dependia de sua vontade. Porque ela simplesmente não existia. Era um abuso de linguagem, um conceito absurdo que não denotava a realidade.

Não havia meios de evoluir, não havia como controlar as suas ações, emoções, nem ser classificado com “bom” ou “mau”, afinal, não havia como escolher a sua índole, nem nada, uma simples marionete de uma rede infindável de cálculos. Não via nada em si naquele instante a não ser um amontoado de partículas, pedaços de carne que se soltam aos poucos, lentamente, até definhar.

Fora menos difícil do que imaginava aceitar a sua insignificância. Procurara respostas, o que parecia realidade bateu de frente contra ele. O ser humano hiperbolizou o conceito de tempo, criando a eternidade, e pra fugir da morte, criou o termo perfeição... Criando deus...

Tentava na sua insignificância recém desvelada, analisar o sistema como um todo, se algo fosse capaz disso, poderia determinar o que aconteceria em cada evento. Acaso houvesse uma maneira de calcular todos os zilhões de processos do mesmo tempo, a cada instante, tudo seria previsível.

Mas a inteligência era muito limitada, além do mais, as suas percepções poderiam alterar todas as respostas. Pensava na plausibilidade da teoria do Big Bang... Todavia, ela começa a explicar a formação do universo tendo como tempo igual zero no momento da grande explosão. De onde surgira a energia pra criar a explosão? Não poderia vir do nada. Se, por acaso, estava desde sempre ali, porque explodir naquele determinado momento?

De acordo com as conclusões mal acabadas a que havia chegado naquela noite, se aconteceu, estava programado. Apenas não enxergava os cálculos, assim como poderia olhar para uma forma geométrica sem enxergar os teoremas... Os sentidos poderiam estar enganados, eram o fator determinante da sua noção de realidade. Todos os argumentos perdiam a validade.

Levantou-se, deu uma olhada esnobe na bagunça do quarto... E saiu apressado dali, sabia que tinha um destino a cumprir, de certa forma, não poderia mesmo se atrasar.




...

PS... Queria agradecer a duas pessoas por conversas, discussões e por me aguentarem falando e questionando sobre esse tema. Obrigado Diego e à minha querida Sandra Heinemann, que me deu as explicações sobre física. As quais, se eu tivesse aprendido teria escrito coisa muito melhor. Aproveito, pra agradecer a May, por tanta inspiração e tantas risadas e a todos os amigos e amigas que eu não vou citar, que de alguma forma colaboram comigo e lêem as famosas “linhas rameiras”.

xD

2 comentários:

Anônimo disse...

Jesui, c deu um nó no meu c´rebro vaev

Anônimo disse...

Na explosão do big bang, não havia eletrosfera nos átomos...tamanha a força da explosão...que excitou tanto os elétrons que ficaram dispersos no universo por um tempo