sábado, agosto 12, 2006

"Temperança, ou... Um Dia a Abundância de Tempero...


Pouca - ou nenhuma - coisa é mais cômica e bizarra do que a própria vida. Quiça a falta dela, apatia. Em especial, se o assunto é este; (a comicidade da vida) recordo dos dias da chamada pelo populacho; mocidade. Nessa incômoda época de paixões inflamadas, na qual vivemos o nosso teatro do absurdo a cada momento, conheci um grande amigo, chamava-se Belmiro Glauco.


Miro, como era chamado pela matilha movida por hormônios a qual chamávamos "turma", em nada parecia conosco, os da "galera". Bem verdade que não se parecia com niguém, a princípio concordávamos ser apenas lacônico, "esse sofre por alguma menina", pensava eu ao ver a expressão melancólica e algo etérea que afigurava-lhe sempre a face.


Glauco, como eu o chamava nunca amou, nunca apaixonou-se, provavelmente nem odiou. Era o mesmo rapagão metódico, tedioso, magrelo e insuportavelmente estável.


De certa feita fui na casa de sua avó, Glauco morava com ela. O ambiente era perturabador, um silêncio penetrante que prostrava qualquer efemerida de alegre que houvesse em nossos lábios, não havia sorriso naquela casa. Uma morbidez devastadora, dessas que fazem-nos um momento inspirado de Victor Hugo a descrever pobreza e imundície humana. Porém, apesar do ambiente "acolhedor", Glauco em nada deixava transparecer em sua alma a melancolia daquele mausoléu que chamavam de lar.


Aliás, nada perturbava-o, inúteis tantas tentativas de retirá-lo dos braços de Morpheus. Vivia como se estivesse dormindo, ou melhor, dormia como se vivesse. Lembro que, por muitas vezes eu mesmo não resisti e sucumbi às brincadeiras idiotas - e diárias - que fazíamos no intuito de despertá-lo.


Poucas vezes olhava para uma menina, e quando o fazia, éramos cruéis a ponto de larga-lo pálido e mudo na frente dela. Por vezes ele balbuciava algumas tolices. Mas nunca demonstrou afeto. Nunca demonstrou um sentimento que fosse. Talvez isso nos incomodassetanto e por isso o odiavam.


Opiniões, nunca as teve. Se entrava em um assunto era equilibrado a ponto de irritar. Não defendia um ponto de vista a não ser o necessário. Cada dia nossa quimera relutante se esvaía mais de trazê-lo ao que chamávamos de vida. As"brincadeiras" começaram a piorar. Cada vez mais tornavam-se odiosas as coisas que se faziam a ele. Eu, sádico por natureza entrava nelas não mais para ajudar, pois todos víamos que seu equilíbrio era perfeitamente apetecível. Mas não para nós, os seres movidos pela cólera e pela paixão.


Um dia, não me recordo ao certo como, pois foi tudo muito rápido e estranho, mas conseguimos, o tornamos um dos nossos, em poucas palavras: o despertamos.


Glauco matou a todos nós.


...

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu iria comentar sobre o texto, faria uma bela demonstração de que o li, e de que entendi quase tudo, mas uns desgraçados em meu msn não me deixaram concentrar-se na sua obra prima, me perdoa Vae? =(
Perdi-me no mar de palavras que encontrei por aqui, fui morto e afogado nele, por culpa daqueles que me jogaram sem dó para o grandioso e complexo mundo de palavras que sua mente é capaz de liberar em tantas linhas, Abraçoo Amigo, daquele jeitinho macho de ser ahuahuahua ;*

Anônimo disse...

Eu iria comentar sobre o texto, faria uma bela demonstração de que o li, e de que entendi quase tudo, mas uns desgraçados em meu msn não me deixaram concentrar-se na sua obra prima, me perdoa Vae? =(
Perdi-me no mar de palavras que encontrei por aqui, fui morto e afogado nele, por culpa daqueles que me jogaram sem dó para o grandioso e complexo mundo de palavras que sua mente é capaz de liberar em tantas linhas, Abraçoo Amigo, daquele jeitinho macho de ser ahuahuahua ;*