"White Blossons"...
Por vezes, somos acometidos de uma realidade que em nada se parece com a nossa, melhor diria, com a que estamos acostumados. Como acontece quando somos "jogados" de frente a uma situação estranha ao que chamamos de dia-dia, a rotineira mácula que nos segue a cada lúgubre e cinzenta aurora.
Nessas ocasiões somos de certa forma forçosamente iludidos, pior, auto-iludidos, nessa busca eterna, ignorante e pueril. Acaba acontecendo o esforço comum a todos os vermes: fugimos da própria mediocridade. Vemos milagres, enxergamos novas realidades, temos esperança. Gentilmente dançamos beira ao nosso abismo pessoal. Todos os esforços medíocres no intento de crermos em algo maior que o eterno pasmo com o absurdo da vida.
Pensava no passado, deveriam ter falado anos antes que não se pode passar a vida inteira planejando a sua felicidade no futuro. Tem de ser feliz agora, hoje. Lembra de quando ficava feliz ao acordar? Era um momento realmente mágico, por mais problemas e complicações que tivesse no dia a dia, a felicidade de tê-la ali, ao seu lado, era inexplicável. Detestava cozinhar, porém, quando fazia algo para ela, parecia estar em outra atividade, não era bom cozinheiro, preferia sair. Quando percebe, o tempo passou, e não se pode recuperar.
Quando foi a última vez que disse que a amava? As coisas foram mudando, derrepente o tempo foi passando, falavam-se cada vez menos. Detestava cada lágrima que ela soltara por sua causa. Ficava consolado pelo fato de que estando longe dele, quem sabe fosse mais feliz. Queria a felicidade dela.
Muitas vezes era acometido por uma saudade lacerante. Lembrava da vez que passou perto da casa dela. Fazia pelo menos dez anos que não a via. Talvez nem lembrasse dele. Viu uma menina, branquinha, cabelos curtos. Nesta hora sentiu uma dor misturada à felicidade, sabia que ela deveria estar bem, a menina era muito parecida com ela. Brincava em frente ao portão.
Chorei. A vontade de sair correndo, de entrar pela porta e dizer tudo o que ficara trancado dentro de si, havia tantos anos. O amor da sua vida estava ali, poucos metros. Porém, agora ela tinha uma família, outra vida, tivera a sua chance. Derrepente, um susto, aparecera na janela, chamando a filha. Não mais aquela garota de 18 anos que conhecera, sim uma linda mulher. A idade tinha transformado a sua beleza, havia conseguido um ar de leve seriedade. Por sorte ela não o viu.
Lembrava do momento em que ela dissera que o amava. Deitados, ele com lágrimas nos olhos, ela ao seu lado na cama estreita. Não julgava mais ser capaz de sentir novamente aquele momento único. O começo de uma paixão correspondida. Não que considere impossível ou mesmo complicado o fato de alguma desvisada moça vir a tencionar deseja-lo. Mas assim? Tão inesperado e ao mesmo tempo ansiosamente aguradado por tanto tempo? Foi bom, muito bom, com uma leve brisa e um cheiro bom, que deixou as coisas mais maravilhosas, fazia anos. A brisa... O cheiro... Os sons... E ela. Que sem ela nada seriam o resto.
Parecia que derrepente, todos aqueles anos haviam passado sem que percebesse. Era como se um dia tivesse ido dormir, com ela ao seu lado e quando acordou estava ali, naquela calçada. Sofreu demais, amargura. O amor havia o ensinado a ter raiva. Depois, com o tempo a amargura se transformou em nada. Mas não importava, a felicidade dela realmente era algo importante para ele, apenas queria saber onde haviam parado aqueles anos todos. Sentia-se feliz, insuportavelmente feliz, sofrera tanto em sua vida que não mais sentia os amargores e dissabores da vida, não lembrava de nada antes do instante passado. Sentia apenas uma calmaria.
Agradável brisa.
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2 comentários:
Daniel, eu não entendi uma coisa. Oque tem a ver a foto com o conto? Nos outros contos elas combinavam um monte e nesse fiquei meio boiando.
abraços
ps, nem precisa dizer que eu gostei né? Seu doomer de merda hahahaha
nothing really matters
nothing really matters
any way the wind blows
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