segunda-feira, agosto 14, 2006

Encarnado, ou... Demência... Parte I



La Cantina!

A lanchonete da faculdade costumava me irritar, entretanto, meu lado masoquista fazia-me passar grande parte dos dias naquele lugar. Mesmo incorrendo no grave risco de ver pessoas que não queria, e que passasse aquela pessoa, ali, ao lado, saindo da biblioteca e não a ver.

Quem sabe fosse melhor assim.

O caso é que a irritação geralmente era oriunda de alguém, nesse dia em específico um desses espécimes únicos, que você conhece por acaso e nunca acha alguém sequer parecido. Achava-se belo, inteligente e capaz. Estranho – ou cômico – seria perguntar-lhe exatamente o que era o belo, como medir a inteligência e o que julgava por capacidade. Havia uma doentia certeza tão eufórica nas próprias habilidades que beirava a galhardia dos embriagados contando histórias apimentadas entre amigos num bar.

Era medíocre. Da pior raça possível de medíocres, os presunçosos. Julgava o mundo como ideal. Parecia um manual de auto-enganação ambulante. Sua desformosa beleza não fora capaz nem ao menos de salvaguardá-lo de uma paixão que chegou a receber de uma mulher. Quando o cômico acaso colocou-lhe no caminho de uma bela mulher, esta, ao facilmente conhecer um pouco melhor as suas inaptidões, lançou-lhe dias e dias de enfado e desprezo. A perdeu tão rápido quanto a “conquistou”.

No auge de seu discernimento, acreditou ser muito belo, tanto que gerava insegurança na “pobre moça”. Acreditava em sua beleza, creio, por causa da sua profissão. Era puto. Havia tomado esse afazer após perder a pequena, belo dia, enquanto bêbado, recebeu uma proposta de uma digníssima, (tão gorda quanto velha) e aceitou.

À partir desse dia começou a ser visto por nós, que freqüentávamos os mesmo antros decadentes, com velhas carcomidas e acabadas beirando a deformidade. Por este mesmo motivo – sua profissão – achava-se tão inteligente, julgava-se de um brilhantismo superior ganhar a vida de uma forma tão divertida. Em casa, dizia à sua mãe ser o segurança de uma casa noturna. Esta, aliás, deve ter sido a geradora de uma personalidade como a dele. Sempre lendo auto-ajuda e aplicando as fórmulas no seu filho.

Isso sem falar da capacidade, como dito anteriormente, tinha a estima por si beirando o exacerbante. Acreditava poder fazer qualquer coisa, exercer qualquer atividade, melhor do que qualquer um de nós, aliás... Via como sua vida havia mudado após perder a pequena e como se sentia mais “feliz” agora. Dizia sempre ser pura e simples falta de vontade que não fazia o que dizíamos. Afinal, sempre que um arroubo de generosidade tomava conta de nós e tentávamos fazer dar-se conta da vida, de que sua beleza (ao falar dela sempre caíamos na risada) não duraria pra sempre, com aquela insuportável voz fanhosa, com a barriga projetada pra frente, nos brindava com demonstrações de beleza, inteligência e capacidade... Tentava mostrar como o mundo era perfeito.


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Um comentário:

Anônimo disse...

daniel, aquilo da foto é a cantina de uma faculdade? huUHuhUHuhUH